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sábado, 14 de janeiro de 2012

Singeleza



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Gosto dos malmequeres do campo
E das alegres boninas,
Que vão nascendo á toa,
Á beira dos valados, nas extensas campinas
Seja bravia a terra ou seja ela boa.
Gosto dessas flores,
Amorosas, singelas,pequeninas
Que suportam o frio, suportam os calores
Do escaldante e ardente sol de verão.
Gosto dessas flores
Que tão diferentes,tão diferentes são
Das outras flores, altivas,delicadas,
Nascidas e criadas
Em estufas ou em salão...

Gosto dessas flores
Com que tu, ó Natureza,
Em tons de suavizantes cores
Emprestaste a graça e a frescura
Da alegre camponesa
Que sob o mesmo sol labuta todo o dia,
Que possui a mesma formosura
Sã,alegre e sadia,
Que do tempo não teme os rigores...
Gosto dessas flores...!

As outras, meninas da cidade,
Cheias de encanto,
Doçura e fragilidade,
Que são belas,esguias, orgulhosas,
Que ornamentam com graça certas salas,
Serão, certamente, as mais formosas.
Mas gosto das outras,tanto, tanto,
Pobrezinhas e singelas,
Que não possuem o brilho e a beleza
Das suas irmãs de estufa ou de salão,
Mais cheias de ternura e singeleza
De humildade e de odores.
Gosto dessas flores
Que nos falam mais perto ao coração!

DE MARIA ALDA Almanaque Alentejano 1965

domingo, 1 de janeiro de 2012

RIOS POLUÍDOS

Nunca digas á fonte que não corra
que ela não pode
porque obedece á nascente
que vive de a alimentar.

Cortai o fio da corrente
aqui...ali...acolá...
Em cada corte um nó-cego
nova corrente dará...
Do descanso da corrida
forças novas ganhará

Caminhos se lhe negavam
mas são dela agora já.

E a sua voz sufocada
ninguém jamais calará

Esgotem a água á nascente,
que se a nascente for forte
ela há-de beber a vida
da vida da nossa morte
e há-de engrossar a corrente
na linha recta do norte